A apenas uma semana da minha partida, devo confessar a minha estranheza perante a minha apatia pelo evento, talvez provocado pelo meu subconsciente numa tentativa de não sobrecarregar a cabecinha com as preocupações inerentes à viagem de forma a ter tudo preparado. Tenho ainda de decidir o que levo na minha mala, ou o que vale a pena levar, a respetiva quantidade e deliberar sobre a sua utilidade. Obrigatória será a inclusão de roupa quente, material de higiene, louça, a mixórdia de fios e carregadores que acompanham o telemóvel e o portátil, algumas garrafas e enlatados e até um número de livros para me entreter. Deverei fazer justiça ao Kafka e ler outra coisa que não seja A Metamorfose, mas provavelmente será desta que tentarei ler, do início ao fim, A Montanha Mágica do Thomas Mann. Talvez leve algo do Saramago se quiser matar saudades da língua-mãe.
Tenho andado também a pensar, como tinha dito na mensagem anterior, nos sítios que pretenderei visitar. Começarei pelos lugares húngaros atingíveis a partir de Budapeste:
Esztergom
O mais parecido que pode haver na região com uma cidade medieval, Esztergom foi a capital da Hungria na Idade Média, um dos meus períodos preferidos enquanto entusiasta da História Mundial, e encontra-se repleta de um vasto património religioso proveniente dessa época, repartido por entre a sua Basílica, vários museus e igrejas, tudo embelezado por uma vista de cortar a respiração, no topo da colina que domina a pequena, pitoresca cidade. Não é algo para se perder de amores, mas sem dúvida merece que gaste uns poucos euros de transporte, já que fica apenas a escassos quilómetros a norte da Paris de Leste.
Só pela vista magnífica já merece a curta viagem de ida.
Pécs
Pécs é o equivalente de Coimbra em terras magiares, mas sem dúvida com potencial de ser muito mais emocionante; a sua posição central fez com que fosse, ao longo dos tempos, uma cidade pluricultural, um encontro de todo o género de povos diferentes, divididos sobretudo entre os católicos romanos magiares e croatas, os ortodoxos sérvios e os islâmicos bósnios. de tal forma que a cidade é reconhecida como a "Cidade sem fronteiras" e ganhou inclusive vários prémios de paz por conseguir uma tolerância e espírito de inclusão tão forte relativamente às minorias. Não é de espantar, então, que seja também um centro universitário de reconhecido valor. Este fator, coadjuvado com as inúmeras igrejas, mesquitas, museus e teatros de relevância, torna Pécs um lugar muito apetecível para a minha sede de cultura.
Balatonfured
Tenho uma enorme curiosidade em relação ao Lago Balaton, aquele que é considerado o Mar Húngaro, e sem dúvida o contraste extremo à paisagem que se verifica no leste do país, dominado pela Puszta, a última grande estepe europeia, que hoje é utilizada para uma intensa agricultura. Balaton, por seu lado, é um corpo de água gigantesco no meio de um país sem faixa costeira (algo que seguramente me fará confusão por ainda não ter visitado nenhuma nação desse género) e Balatonfured é um dos seus resorts mais populares pela sua localização, a norte do lago e logo mais próximo de Budapeste, e pelo seu desenvolvimento desde cedo como destino turístico balnear. Certamente quererei, ainda em Setembro, verificar a reputação desta cidade e experimentar não apenas a sua praia como ver a caverna que têm nas redondezas e, sobretudo, daruma olhada pelo antigo Bairro Grego que hoje é um quarteirão de bares, pubs e restaurantes famosos pela qualidade do vinho. Intrigante, no mínimo.
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