domingo, 16 de agosto de 2015

À procura do hostel perfeito

Ontem a Íris relembrou-me da necessidade urgente de reservar um quarto de hostel o mais antecipadamente possível para quando chegássemos a Budapeste. Posso dizer que passei o santo dia inteiro numa procura frenética, passeando entre booking.com e TripAdvisor, à procura de um alojamento temporário que reunisse as condições adequadas a um preco acessível. Durante horas a sorte não foi muita: muitos dos edifícios ou quartos apresentavam condições paupérrimas que eram confirmadas pelo feedback de clientes que por lá passavam. A 10€ por noite e por pessoa, não seria de admirar muito. Mas chegava a ser engraçado. Uma das residências, localizado no passeio do Danúbio, tinha quartos mais pequenos que a minha despensa, com mesa de cabeceira, uma estante para toalhas, e uma cama estreita junta à janela, num espaço claustrofóbico que não permitiria colocar malas de viagem de forma nenhuma. Outra, perto da praça Oktogon, tinha, de acordo com os clientes, o espaço muito sujo e mal preservado, embora as fotos mostrassem quartos espaçosos, humildes mas funcionais. A casa de banho, partilhada, seria no piso inferior aos quartos, com um nível de privacidade ínfimo. O lobby pelo menos era de um visual mais ou menos agradável, um pouco diferente do habitual. Outra opção considerada, mesmo no centro da confusão da vida noturna de Budapeste, era mais uma casa de família que qualquer outra coisa, com um ar agradável, mas levantou desde logo muitas suspeitas devido à dualidade de quartos que eram dispostas na galeria. Preferimos não arriscar. Finalmente, havia a opção inicial da Íris; perto da Sinagoga, uma pequena residencial que pelas fotos parecia ter algum cuidado e o mínimo de condições, e isto pelo preço simbólico de... 40 euros para duas noites num quarto duplo. Era um achado. Até eu reparar nos comentários de feedback. Inúmeras queixas e denúncias de que os quartos eram uma nojeira absoluta, diferentes do que eram mostrados nas fotografias, sem condições dignas de registo, a juntar ao atendimento horrível (não possui recepção e houve mesmo pessoal que teve de esperar horas na rua à espera que chegasse alguém que os atendesse). Fiz logo a minha cara de foda-seeeeeeeee e comecei a ficar desesperado perante a falta de opções disponíveis que não ficasse acima dos 60€ no total.


A bênção estaria por chegar: a Íris aconselhou-me que criasse mesmo uma conta no booking para ver o que seriam aquelas "ofertas secretas" que tanto listavam nalguns locais. Pff, uma jogada de marketing, pensava eu. Pensei mal. Um hostel muito popular entre a estudantada estrangeira, aliás, a recomendada pela universidade em que a Íris estará, tinha um desconto significativo caso aceitasse a oferta secreta, que consistia numa pré-reserva já com tudo pago. A fachada é de um prédio bastante antigo mas, por dentro, a decoração era moderna, o ambiente muito juvenil, o staff muito simpático e prestável, e os quartos bastante satisfatórios. Pela módica quantia de 44€. Aproveitei para reservar um quarto duplo logo na altura.



Eles até têm uma esplanada virada para um jardim dentro do quarteirão. Não é impressionante, mas está bem arranjadinho. Tal como o site deles, que está bem montado e de nível profissional.



Este hostel situa-se em Ferencváros, um bairro de transição entre o centro e a periferia conhecido talvez mais pelo seu clube de futebol, o mais bem-sucedido da Hungria. O estádio recém-construído, o Groupama Arena, fica no fundo da avenida onde está localizado a residência. Vou começar a apanhar o hábito de comprar os cachecóis dos clubes das cidades por onde passo - preferia as camisolas, mas não há dinheiro para isso. Talvez vá lá ver um jogo ou dois quando assentar. Mas antes, terei que tratar de inúmeros detalhes aquando da minha chegada, e um deles será carregar as malas feito escravo desde o aeroporto até Ferencváros e fazer espera até ao check-in às 14 horas. Mas, como já tinha dito, os funcionários do hostel são muito prestáveis e fortemente inclinados para o público-alvo do meu género -- ofereceram um panfleto online com inúmeros descontos em várias atrações parceiras deles, e advertiram fortemente para NÃO trocar euros por forintos no aeroporto, porque as agências, apesar de pertencerem a bancos oficiais, aproveitam-se dos turistas nos sítios propícios para tal. Sei que o câmbio corrente é de 1€ para 310HUF. Mas desconhecia as taxas. Assim evito ser enganado e ficar sem dinheiro para o cachecol do Ferencváros. Graças à malta porreira do Budapest Budget Hostel.

Sem comentários:

Enviar um comentário