quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Bolsa de Erasmus

Uma das maiores preocupações para quem vai em Erasmus é, invariavelmente, o orçamento que tem em mão. Quem me dera a mim ser exceção à regra.

O meu emprego de verão, sem dúvida invulgar entre os estudantes da minha idade, vai proporcionar-me algum desafogo temporário neste aspeto, visto que pela parte da instituição que atribui as bolsas a vontade é pouca: o valor da bolsa é calculado supostamente pelo custo do nível de vida do país de destino (algo que comprovei não ser verdade - a Itália e a República Checa estão inseridos no mesmo escalão de atribuição de 250€ mensais, se bem que a península itálica pratique preços elevadíssimos em quase tudo em relação aos boémios, em que só a renda na baixa de Praga possa ser considerada algo exorbitante), e este valor estendia-se pelo período de quatro meses, pago em duas prestações; uma na confirmação do envio do documento à chegada da universidade de destino, e o restante já de volta a Portugal, com a devida documentação confirmada. Para este ano, decidiram retirar um mês da equação de forma a garantir que todos tenham bolsa. Quando me disseram isto na DRI, há pouco mais de uma semana, fiquei imediatamente revoltado.


Felizmente, tenho um grande auto-controlo nestas situações. Às vezes.



A minha raiva dissipou-se quando nesse preciso momento - e juro que não vos estou a aldrabar como um bandido sem escrúpulos - entra um rapaz visivelmente abatido e irritado, com vontade de queimar a DRI ao chão mas a conseguir conter-se muito a esforço, interrompendo a minha vez de estar sentado na cadeira a chorar e pergunta pela segunda tranche da bolsa, a ver se tanto a instituição Erasmus como a DRI lhe possam dar alguma pista do paradeiro dos tão necessitados fundos. Esta segunda tranche é relativa, imaginem, ao primeiro semestre, que terminou há meio ano. E do dinheiro, ainda nada à vista. A resposta foi célere e peremptória: espere pela confirmação de envio do montante. O pobre moço saiu chamuscado, sem antes dar uma descasca sobre a forma miserável como a situação estava a ser lidada.

Foi nesse momento que soltei um grande foda-se em jeito de alívio, ao ler o contrato que estipulava que eu receberia 100% do valor total da bolsa até 30 dias após a assinatura do presente documento (se bem que estou em dúvida se será este ou o documento de chegada, mas sei bem o que li). Recebo 750€ em vez de 1000€ de bolsa, é certo, mas ao menos recebo-o todinho quando mais preciso dele e sem este tipo de macaquices. Assim o espero. Oxalá aquele rapaz não seja eu também para o ano que vem.

2 comentários:

  1. Eu recebi a primeira tranche da bolsa (sim a primeira) na minha última semana de Erasmus. Haha

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    1. Credo! Mas como querem depois que as pessoas se sintam atraídas em ir? Para se ter uma noção, do meu curso apenas três pessoas se inscreveram este semestre. O lema de Erasmus gira à volta de «todos os alunos terem o direito de viver a experiência, nunca podendo ser impedidos pela sua condição financeira», mas depois acontece isto. É um belo paradoxo.

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