Está mais próximo que nunca. Os nervos saltam à flor da pele, a pulsação sobe o seu ritmo e a ansiedade toma finalmente o controlo por completo de toda a minha capacidade emocional. Não dá para pensar noutra coisa.
Retiro o que disse. Há coisas a mais que precisam de ser pensadas. Antes de mais, a majestosa ressaca que tenho depois de uma noite tão violenta como a de ontem, cujos pormenores serão poupados. Mas adorei, do início ao fim. Foi, a todos os títulos, digno de uma festa de despedida merecedora desse nome. Daquelas em que não me cheguei a despedir de ninguém, não houve abraços nem discursos nem lamechices nem nada do género. Um puro e simples desenrolar de risos, brincadeiras e abusos pela noite fora, com final suspenso a ser retomado em Fevereiro, quando voltar. No entanto, tenho de deixar os meus sinceros agradecimentos a todos os que vieram e tornaram esta noite absolutamente memorável que irá ser contada às próximas gerações.
Foi a Íris que me acordou, pelas 9 da matina, a avisar-me da urgência de me despachar e vir a Lisboa imediatamente para confirmar tudo. Se não fosse por ela, teria me deixado dormir até o sol ir alto (obrigado Íris!). Arrumei definitivamente a mala - e penso que levo tudo de relevante, incluindo um garrafão de três litros de azeite (!!!) - e abalei para o terminal rodoviário, onde enfim me despedi do meu pai e apanhei a camioneta que me iria dar o prazer de duas horas e vinte minutos a ouvir bebés a chorarem quase ao lado, daqueles gritos mesmo agudos capazes de fazer inveja a qualquer perito em falsettos. Felizmente vim equipado com os meus fones e pus-me a relaxar enquanto ouvia uns Beatles, um Led Zeppelin, um Deep Purple. Estava nessa onda dos oldies.
Foi na chegada a Lisboa que me apercebi da importância dos táxis ao carregar, ao longo de várias centenas de metros, cerca de trinta quilos de bagagem, algum no lombo, o resto sobre rodas, invariavelmente a fazer-me lembrar o meu tempo na impermeabilização. Juro, no entanto, que é mais fácil levar um rolo de tela PVC de sessenta quilos pelo ombro do que estar a arrastar uma pilha de quinquilharias calçada abaixo. Quando chegar a Budapeste não caio na mesma esparrela e apanho um táxi em vez de optar pela dualidade Autocarro-Metro + seiscentos metros à saída até ao hostel. Esqueçam, é inexequível. Ou então sou eu que estou mal habituado. Mas a 35 graus de temperatura, como estarão amanhã na capital húngara, será difícil demover-me da decisão.
A Íris está ainda mais stressada do que eu. A dança frenética entre as ponderações e as decisões levaram-na a um excesso de zelo de tal forma que a mala dela quase rebenta pelas costuras de tanta roupa que ela leva. É que eu já estava mesmo a prever. Ah!, pois, ainda por cima ela leva duas malas e não uma. Mais a de mão. Estou para ver como ela pensa levar isso tudo. Mas tão ou mais preocupante que isso será a greve que está em vigor hoje que promete adiar o nosso vôo por um período de tempo ainda imprevisível, mas visto que a greve termina à meia noite, espero que no máximo o adiamento não seja mais que uma hora, já que o vôo está marcado para as 23:05. Estarei lá extra cedo para fazer o check-in o quanto antes e assistir ao pandemónio instalado na Portela. Não sei se terei vontade de rir ou chorar.
Olhem só, está para arrebentar. O mais impressionante? Só chega aos quinze quilos...
Ainda não me mentalizei que da próxima vez que escrever para o blog, já estarei em terras magiares, longe de qualquer referência a Portugal ou ao idioma nativo. Ainda não me entrou na cabeça, e como tal prevejo que o choque seja absurdamente maior. Sou facilmente impressionável nessas questões, e francamente, mal posso esperar por isso. Fica aqui o meu até já para vocês todos, e darei novidades quando puder. Adeus Portugal!






