sábado, 31 de outubro de 2015

10 curiosidades sobre a vida na República Checa - Parte 3

8 - Em Praga, sê chinês

É absolutamente engraçado: a noite de Coimbra está repleta de cantos, preenchidos de mosquitos, com máquinas automáticas que vendem comida sobrevalorizada, entre outras comodidades noturnas como preservativos ou lubrificantes. Em Budapeste, substituem-se os dispensores mecânicos pela comida turca; em cada esquina é possível encontrar-se sítios que vendam Kebab, Gyros ou fatias de pizza abertos a toda a hora. Praga, no entanto, é peculiar. Não é segredo nenhum que a comida checa não é propriamente a mais saborosa nem a mais saudável, de forma que tanto os locais como os turistas confiem mais em especialidades internacionais. Tal não ocorre na maioria dos restaurantes, que continuam a confiar em clássicos como o Gulyás (um prato húngaro escreve-se em húngaro!) ou os knedliký (os tais bolinhos feitos de massa) com tudo e mais alguma coisa, até à carpa, facilmente das poucas opções piscícolas disponíveis neste pedaço de interior europeu. Se formos, porém, a um centro comercial, o piso de restaurantes apresenta normalmente muito poucas opções, e estas restringem-se ao McDonald's, um restaurante mexicano qualquer, o Nordsee, um vegetariano, uma pizzaria desconfortavelmente cara e depois o grosso da companhia: toneladas de sítios de comida chinesa ou mongol, sempre cheios de checos, que parecem gostar mais de noodles do que da própria vida. Até dá impressão. No Albert ou no Tesco, porém, as diferenças prendem-se sobretudo na padaria: não raras vezes dou comigo a comprar uma espécie de baguete coberta na côdea com queijo, fiambre e bacon, que é bastante bom, e sobretudo uma espécie de criossant de salsicha que é absolutamente brutal. Aliás, tanto a salsicha checa como a magiar são de uma qualidade infinitamente superior à portuguesa, e tenho de me lembrar de levar umas quantas de volta a Portugal. Não se pode dizer o mesmo do atum, que pelo que já ouvi dizer de pessoal tuga aqui, é um completo nojo. Ainda bem que trouxe uns sete pacotes da Tugalândia. Um gajo prevenido vale por dois.



9 - Não sejas o típico turista

Pode parecer insistência de ódio injustificado, mas passar uns tempos num centro tão frequentado pela mais variada massa turística fez-me ganhar uma consciência como que a raspar o nojo pelo estereótipo do turista de massas: tipicamente o casalinho reformado, de boné, óculos de sol, camisa desabotoada, corsários e havaianas, sempre de Canon na mão e disposto a fazer tudo no centro, onde estão os seus companheiros anónimos todos unidos num único objetivo, independentemente dos custos porque: primeiro, que se foda; segundo, porque será legítimo comprar a experiência que todos têm e não arriscar-se a perder nada. Este tipo de atitude reflete-se na constituição social do centro de Praga; os próprios locais preferem evitar deambular por esses sítios porque, à semelhança do que ocorreu com Lisboa, sentem que perderam esses locais para os estrangeiros cheios de papel e com muito maior poder de compra. O que sucede, então, é que todas as ruas do maldito centro estão CHEIAS de lojas proxy; desde Na Prikope e Celetná até Karlová e o outro lado do rio em Malá Strana, dúzias e dúzias de fileiras de lojas de souvenirs, cristais da Boémia, granada checa, lojas de bebida - todas sem criatividade e repetindo cada artigo existente, em preços no mínimo chocantes - claro está, para a disposição do amigo turista, único público-alvo, porque nenhum checo sério vai engolir nada dessa merda que muitas vezes é propriedade de indianos e chineses, ironicamente. O destaque, porém, vai para os hilariantes salões de massagem tailandeses, com posters flamejantes gigantescos à porta, ilustrando um nada subtil 9.99€, e depois em letras muito pequeninas, "*from". À porta, está sempre um tipo vestido com uma espécie de robe verde, o chapéu em forma de cone do sudeste asiático, e uma carruagem a imitar o típico da região. A personagem, como seria de esperar, nem asiática é; muitas vezes são os próprios checos, matulões, branquinhos e carecas, a desempenhar o papel. Totalmente genuíno, como conseguem ver. Se alguma vez forem para estes sítios, abstenham-se de seguir a multidão e aventurem-se em sítios por onde normalmente ninguém sonharia em ir e falem com toda a gente: isto, aliás, está cada vez mais em voga, e chama-se turismo de experiências. É o futuro, meus amigos. 




10 - A exuberante noite de Praga

A noite em Praga é exatamente aquilo que se podia esperar, pelo menos em ambiente Erasmus: grupos gigantescos representativos de cada residência que se acabam por misturar com pessoal que vive em casas privadas, que ou começam a noite cedo num bar mais pequeno ou vão diretamente para as grandes discotecas onde reina a música latina estupidamente repetitiva e o comilanço desenfreado entre casais aleatórios que não acontece tanto como eu inicialmente suspeitava. Neste aspeto em particular, Coimbra oferece uma atmosfera muito mais propensa à badalhoquice espontânea. Sinto que as pessoas em Erasmus, pelo menos as que não são dos países mediterrânicos, não vêm com o mindset fixo em comer tudo o que aparece pela frente, tal reza a fama em geral. O que não os impede, ainda assim, de tentarem na mesma.
Geralmente paga-se bastante para entrar num sítio qualquer que seja conceituado, embora com a existência de RP's o preço de entrada pode normalmente ser contornado através de guetslists via Facebook. Tudo o que não seja cerveja chega a ser caro demais para a carteira comum se não se tiver cuidado. Os espetáculos oferecidos, porém, são a uma escala a todos os títulos notável. Toda a variedade de atividades diferentes nos mais diversos lugares estão disponíveis, desde a sala de gelo e o desfile de checas semi-nuas na famosa discoteca tourist-trap de cinco pisos pelo qual se paga 200 coroas (8€) de entrada; o darkroom/festa de semáforo no Chapeau Rouge, que goza de elevadíssima reputação na cidade, ou simplesmente de grandiosidade temática em sítios icónicos como o Radost FX, o Roxy ou o Palác Akropolis, que mais depressa se enche de ingleses gordos e bêbedos do que propriamente de jovens garotas como as que frequentemente são publicitadas. Eu pessoalmente, como apreciante de rock que sou, adorei o ambiente do Vagon, em Narodní Trida, que é um excelente sítio para um gajo abanar a cabeça ou beber umas jolas com os amigos depois do jantar. Infelizmente, pareço ser o único na minha residência que gosta de rock ou de metal, pelo que tenho de me restringir a sair com a Iris e o Daniel em Budapeste se quiser ir a sítios onde o som seja audível ao invés de ter de me contentar com Bailando, El Perdón, Waka Waka e La Camisa Negra infindáveis vezes em qualquer bodega de Staré Mesto.









terça-feira, 27 de outubro de 2015

10 curiosidades sobre a vida na República Checa - Parte 2


4. – Guarda-chuva é para meninos

Um dos motivos pelo qual escolhi fazer Erasmus nesta altura do campeonato prende-se com as condições meteorológicas mais favoráveis na Europa Central: enquanto que em Portugal a época da chuvada aparenta ter sido declarada, aqui raramente vejo aguaceiros, e quando os vejo são muito espaçados, escassos, molha-tolos. De fato, aqui a precipitação, embora muitas vezes recorrente, é leve e até confortável, tendo em conta que em terras lusas não costuma chover muito, mas quando chove…é a doer. Em Praga mal senti a chuva ainda e prova disso é eu nem ter necessidade ainda de comprar um guarda-chuva. Nem eu nem todos os outros, que mesmo em dias nublados não costumam sair com tão indispensável acessório. Em contrapartida, porém, raramente se vê o sol já que o tempo nublado é uma constante em Praga, com o ocasional rasgo de sol a trazer uma certa jovalidade quando esporadicamente dá o ar da sua graça.

5. – Cerveja rainha e senhora…será?

Qualquer supermercado aqui terá uma dupla ala inteira dedicada aos mais variados tipos de cerveja e a verdade é que se perde a conta das marcas diferentes disponíveis: há as mais populares, como a Pilsner-Urquell, a Staropramen, a Gambrinus e a Kozel e depois uma série de nomes obscuros que ao fim e ao cabo acabam todos por saber ao mesmo e trazem alegria ao povo e são acima de tudo, cerveja checa. Todo o estudante de Erasmus que se preze tem sempre uma grade de qualquer coisa no seu quarto de residência. Bastantes checos que conheci, porém, parecem não apreciar muito deste néctar; os que gostam dela bebem aos barris, os que não gostam procuram alternativas irónicas como o vinho (que vem sobretudo da Morávia) ou o café. Ah, sim, café. Aí está algo que eles adoram. Aqueles cafés do género Starbucks com nomes italianos para poderem cobrar mais só porque tem estilo. Creio ser natural do checo fugir um pouco ao estereótipo e tentar ser hipster no meio de um mar de turistas sedentos da experiência cervejística numa tentativa fútil de se parecerem com os locais. Os próprios checos que conheci, aliás, não são muito de beber álcool; algo contrastante com a vasta maioria tuga que quando apanha uma tasca à frente torna-se hora do bagaço.

Felizmente, pubs como o Hány Bány retêm muito da mística centro-europeia e ainda conseguem dar um ambiente agradável a quem quer beber a sua jola ao fim do dia.


6. – Evita o centro se não queres ser chulado à campeão

Em Budapeste isto verificou-se, em Lisboa é mais que evidente, mas em Praga é um absoluto abuso. A diferença de preços se comprares algo em Vrsovice ou em Zizkov e depois em plena Stare Mesto ou em Hradcansky é brutal, o motivo vai sempre redondamente dar ao mesmo: a turistada toda que se amontoa nesses sítios numa procura desenfreada por artigos locais que na maioria das vezes de local não tem nada e são apenas imitações baratas dos chineses. À parte esse aspeto, o custo de vida em Praga é muito semelhante a Coimbra, e ligeiramente mais barato que em Lisboa. Tanto no Albert como no Tesco (aqui o Lidl é uma valente merda), os preços apresentam algumas variações em relação a produtos essenciais em Portugal: a cerveja é obviamente a primeira a saltar à cabeça, com uma média de 1/3 do preço normal. Coisas como chocolates, cereais, pães e fruta são também algo mais baratos. Menção honrosa para a nossa amiga vodka que aqui se consegue comprar por 3 euros e também para o frango assado, que uma vez apanhei a 50% de desconto no Albert e levei um inteiro por 39 coroas…ou cerca de 1,40€. Ah pois é. Por outro lado, cenas como a água, a carne, o leite, ovos, utensílios, bolachas, vinho, óleo (esqueçam o azeite porque não há), molhos e praticamente tudo o resto que não mencionei é mais caro. Imprimir qualquer coisa em sítios que não sejam a faculdade é insano: dez coroas (40 cêntimos) por folha. Comer no McDonalds fica a cerca de 4€ sem descontos e beber cerveja num pub fica a pouco mais de 1€, mas sair à noite pode ficar consideravelmente caro dependendo do sítio e das bebidas que se pede. Confesso ter saudades do custo de vida de Budapeste, onde um gajo com 6€ tinha direito a bar aberto ou com 1,5€ comia um Gyros que o deixava cheio para o resto do dia. Ainda bem que estou de volta por uns dias!

Provavelmente a loja mais engraçada da Cidade Velha mas perde logo a piada quando verem os preços das gomas a cada 100 gramas.


7. – Uma maneira de estar completamente diferente


Os checos são por natureza pessoas muito formais e respeitadoras, e fazem questão de fazer valer os seus títulos, se assim os tiverem, em todas as ocasiões. Sempre tive isto em mente e nunca perdi a oportunidade de fazer a minha melhor figura em cada interação com os locais, não porque me fica bonito fazê-lo, mas simplesmente porque é isso que é esperado de mim e de qualquer outra pessoa aqui. A título de comparação, começo com os transportes públicos: em Portugal, frequentemente se faz uma cena melodramática quando um idoso se quer sentar num lugar e a pessoa que cede desfaz-se em palavras elogiosas com o público espetador a abanar a cabeça em sinal de aprovação perante tal ato heróico de ficar em pé durante uns minutos para que alguém mais necessitado pudesse ter o seu descanso. Em Praga, assim que um idoso entra no autocarro ou no elétrico, a pessoa mais próxima levanta-se, sem dizer nada, e fica de pé, quase que imediatamente. Até podem haver lugares vazios mais à frente, que não importa: o respeito que têm pelos anciãos, grávidas ou deficientes é infinitos e todos fazem questão de meter no subconsciente a preocupação pelo próximo, algo tão forçado muitas vezes na Tugalândia. Mais flagrante ainda é a situação dos alunos, mas desta vez em contexto de Erasmus: em todas as aulas em que estive até agora, ninguém piou o que quer que fosse e a atenção e interesse ao que o professor dizia, num inglês muito fraco e em slides de powerpoint mal feitos, era absolutamente exemplar. Fiquei estúpido da cabeça ao recordar-me das tantas vezes nos anfiteatros da FLUC a malta fazia da vida do professor um inferno (e alguns não mereciam mesmo) ao ponto de este ter de interromper a aula para mandar calar o pessoal, algo impensável no ensino superior, e mais impossível ainda no ambiente de aula checo, mesmo que em Erasmus. Um exemplo de civismo vindo de todos os cantos da Europa.



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

10 curiosidades sobre a vida na República Checa - Parte 1

Faz hoje um mês desde que, com a minha bagagem e uma ressaca impossível, cheguei a Praga com um brilho nos olhos e um milhão de expetativas. Algumas foram defraudadas, outras bem fundadas, mas o certo é que, sem dúvida, posso dizer que já vivi uma panóplia de experiências dignas de serem contadas depois do jantar, num café qualquer da Praça, quando estiver de volta a Coimbra, tanto com amigos de longa data a quem lhes fiz a promessa de levar daqui algo, como a novos caloiros que eventualmente conhecerei (e praxarei, que eles nem pensem que se escapam!) e tentarei transmitir tudo de relevante sobre a vida académica que eles ainda não tenham aprendido com os meus colegas, que certamente estarão a fazer um bom trabalho este ano. 

Às vezes dou por mim sentado na minha minúscula secretária partilhada com o meu colega de quarto e penso como seria a minha vida se tivesse optado por ficar em Coimbra neste ano, mas a verdade é que a escolha foi feita e não posso dizer que esteja arrependido dela. Desde a presenciar um jogo de hóquei no gelo pela primeira vez, a conhecer a vida noturna, a integrar-me no meio universitário praguense, até conhecer uma miríade de pessoas de nacionalidades diferentes, existem ainda os próprios locais, os imperdíveis checos e a sua cultura quotidiana, um pouco distante da nossa. Eis então as minhas impressões, facilmente perceptíveis, sobre como é estar entre quem para nós parece estranho como nós para eles seríamos estranhos.


1. - O desporto nacional na República Checa não é o futebol

Uma realidade por vezes tão criticada em Portugal devido ao mediatismo dado pela comunicação social, os rankings futebolísticos espelham por vezes uma situação recorrente nos países da Europa Central e da Escandinávia: simplesmente o futebol não é a prioridade, muito por causa do clima que por vezes consegue ser desfavorável e convida à prática de outros desportos, como os de inverno, que são dominados por esses mesmos países. O Hóquei no Gelo não é excepção e a República Checa faz parte do chamado grupo dos seis titãs que monopolizam o desporto a nível mundial. Assim, é de esperar um grande nível de qualidade na Liga Checa, considerada a quinta melhor do mundo na modalidade. Há uns dias vi a partida entre o HC Sparta Praha e o Piráti Chomutov na estrondosa O2 Arena. Ímpar e único. Fiquei fã da equipa desde então, que se destaca um pouco do seu homónimo de futebol em, entre outras coisas, o próprio nome e o emblema.

E acreditem que eles aqui levam isto muito a sério, chegando o próprio desporto a assemelhar-se a um espetáculo similar ao que acontece nos courts americanos.


2. - O dia tanto começa como acaba mais cedo...e as refeições também

Um dos maiores erros que cometi aqui foi pensar que os horários das refeições seriam parecidos com os de Portugal. Já na Hungria, logo no meu primeiro dia, havia testemunhado pessoas nos transportes públicos às cinco da matina. Na Europa Central trabalha-se mais e o ambiente humano é geralmente mais sério e muito menos carpe diem do que nas regiões mediterrânicas. Em Portugal, as pessoas combinam tomar café numa esplanada exterior às 22:30, mas na República Checa os amigos juntam-se em pubs para beber cerveja depois do trabalho, geralmente às 17:00. Sim, porque a hora de jantar aqui é entre as 18h e as 19h. Os checos saem à noite às 22h e às duas da manhã já chega. Na pátria mãe essa hora é quando a noite de alguns começa...
Para desalento meu, isso também significa que os horários da cantina (que se chama Menza) funcionam de forma semelhante e a primeira vez que lá fui, às 13h, armado em turistão, haviam-me dito que já só havia o prato vegetariano; tudo o resto estava esgotado por pessoas que apanharam a minhoca mais cedo. Aprendi da forma dura que aqui almoça-se às 11:30h ou arriscas-te a ter que gramar com queijo frito acompanhado de batata cozida. E porra que eles aqui adoram batata.

Este é o prato que mais vulgarmente aparece no Menza, e um dos mais tradicionais da cozinha checa: carne de vaca (hovezi pecene) com bolinhos de massa (knedlíky).



3. - Não te metas com as autoridades checas, ou com os próprios checos

Já aqui tinha mencionado as minhas desventuras com a lei aqui em Praga logo depois da minha chegada, mas os senhores agentes adoram descascar em tudo; não precisam de ser sequer agentes -- quando a Iris esteve aqui por uns dias bastou-lhe estar no elétrico sem bilhete, na esperança de quando aparecesse um pica a cena seria comprar-lhe um bilhete de condutor já que não se podia fazê-lo no motorista. Era bom não era? O pica apareceu logo no primeiro elétrico que apanhou em Malá Strana (antes de eu ter arranjado passe de 5 meses andei à socapa pelo menos umas seis vezes nos elétricos 22 e 26, ela teve muito azar) e sem dizer uma palavra, passou-lhe logo uma multa de 800 coroas (30 euros). Ora toma lá. A partir desse momento a Iris passou oficialmente a odiar Praga. Um alemão aqui do meu piso também não teve a mesma sorte que eu relativamente a beber dentro das estações de metro: a mim perdoaram-me, já ele apanhou o agente em mau humor e levou logo com 1000 coroas em cima. Palavra de menção honrosa para os hooligans racistas do clube de futebol do Sparta de Praga que deram porrada num francês colega nosso. O motivo? Estar simplesmente ali metido com eles, não és checo já ardeste. Já me avisaram que corro um risco enorme em andar na rua com um cachecol do HC Sparta e apanhar adeptos do Slavia à frente. Cruzes, já me deram relatos de alguns skinheads que passavam aí por Florenc e Karlín com braçadeiras nazis. Desconfio da veracidade: o pior que já vi até agora foi um jovem checo perdido de bêbedo no autocarro das 3 da manhã a mandar vir com um amigo dele e a dar-lhe uma cabeçada, ao passo que o outro fugiu na paragem seguinte enquanto o Zidane lhe dizia para se ir embora e as senhoras idosas um pouco mais à frente discutiam a situação baixinho, e eu a rir-me que nem um desalmado.