quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Üdvözöljük Magyarország!!!!

(Peço desde já desculpa pelo interregno prolongado nas publicações mas aconteceu tanta coisa que tanta a vontade como o tempo em escrever mais publicações tem sido escasso; espero agora poder atualizar tudo aos poucos!)

O avião da TAP aterra por volta das três e meia da noite na hora da Europa Central, e as luzes que vejo fora da janela fazem arrepiar-me a coluna. Sempre imaginei a Hungria como um país extremamente plano, por virtude da Puszta, que se estende pelo leste do país até Pest, onde para lá do Danúbio se encontram as colinas de Buda. Quando pus os pés fora do avião, não consigo evitar em olhar por todo o lado com um sorriso de orelha a orelha, muito despachado claro, porque o pequeno autocarro que nos levaria ao terminal nos esperava. Procurei, assim, por todas e quaisquer referências que me pudessem garantir a presença em terreno magiar. Mas depois lembrei-me; um aeroporto é considerado solo internacional, não é? Pelo menos de acordo com aquele filme, já não sei o nome. Ok, então ainda não estou oficialmente "lá".

O terminal 2 no Ferenc Liszt é estupidamente pequeno comparado com o tamanho dos terminais na Portela. Tão depressa recolhemos a nossa bagagem como no momento seguinte já nos encontrávamos na entrada, onde Ferihegy, a planície nos subúrbios a sul de Pest, nos esperava. Era necessário, porém, que fizéssemos o câmbio de algum dinheiro o quanto antes. Sim, porque, pensávamos eu e a Iris, não podíamos simplesmente chegar ao pé do autocarro e pagar em euros. Mas a razão mais credível era a de que os transportes em Budapeste eram relativamente caros aquando da compra de bilhetes diários ou de motorista, e muito baratos no caso da aquisição do passe mensal, que dá para todo o tipo de transporte público urbano imaginável. Estava, no entanto, algo desesperado por conseguir alguns forintos húngaros de madrugada, não fossem ser necessários depois, em algum caso de urgência. Assim, deparei-me com uma caixa de multibanco, que pertence à EuroNet. Só haviam destes espalhados pelo terminal, pelo que tentei dar uma olhadela nele e ver que taxa de câmbio praticava e fiquei-me por tentar levantar 15€, sei lá, parecia-me a quantia adequada. Queria-me levar dois euros e picos e eu, ignorante, aceitei. Não sei porquê, deu erro (e hoje fico aliviado com isso). Desisti da ideia e, com imensas malas por carregar atrás, aventurei-me para fora do terminal onde fui agraciado com a plaqueta que dá o título a esta publicação e aproveitei para tirar a minha primeira foto enquanto aluno de Erasmus fora de Portugal, onde, pouco a pouco, iria testemunhar o amanhecer no País dos Magiares.



Dirigimo-nos à paragem do 200E, a tão famosa linha que transporta todos os recém-chegados vindos do aeroporto e os introduz ao Metro de Budapeste, mas para entrar no autocarro, antes tinha que me desenvencilhar na questão dos bilhetes. Por nossa sorte, havia uma máquina que dispensava bilhetes, estilo as de Lisboa. FELIZMENTE, tinha a opção de se ler o menu em Inglês. Tivemos algumas dificuldades iniciais, mas deparámo-nos com o passe mensal para estudantes. Ok, tudo certo, mas não precisamos de comprovar nada? Não temos de ir a uma pessoa e fazer-nos um cartão ou assim? Nada disso. Metes o teu número de B.I. ou do teu cartão de estudante, pagas com o cartão do multibanco e sai um papelinho. Hã? Sim, isso mesmo. AQUILO é o teu passe. Fiquei pasmado com a simplicidade do processo. Em Portugal nunca na vida seria tão simples um passe estudantil, pensei para mim. Mais espantado fiquei ainda quando entrámos dentro do autocarro e procurámos por alguma máquina que nos validasse o papelinho mas nem isso. Mostrámos o passe ao condutor e ele murmurou algumas palavras incompreensíveis, então vimos uma caixinha cor-de-laranja com uma ranhura que supúnhamos que era para isso que servia. Depois de fazermos figuras de idiotas na tentativa de que aquilo nos validasse a senha, uma jovem magiar diz-nos, num inglês básico, que a caixa apenas servia para picar o ponto das senhas normais. Aaaah! como no sistema antigo dos SMTUC, que engraçado. Então não temos que mostrar nada a ninguém? Apenas a eventuais e raríssimos picas? É absurdo! Revolucionário, mas absurdo. Ou talvez nós portugueses apenas estejamos habituados a uma fiscalização muito mais apertada. Mas não deixei de imaginar a perda de dinheiro que a BKK teria com isto, embora se não o fizessem, as filas de entrada que teriam para os transportes era insuportável. Afinal de contas, Budapeste tem mais de 3 milhões de habitantes, muitos deles com pressa de chegar aos destinos.

Foi dentro do autocarro, que nos levava para a estação terminal da linha azul do Metro, em Kobánya-Kispest, que vimos finalmente o sol nascer e podíamos ver, afinal, o que era a Hungria.



A influência dos tempos comunistas mantinha-se: a paisagem que vimos traduzia-se em inúmeras fábricas, casas tristes e degradadas, barracas com telhados de zinco, descampados típicos de estepe, postes de média tensão, e imensas carrinhas agrícolas e outras industriais. Admito que não fiquei impressionado, mas era o que esperaria dos arredores de uma capital da Europa de Leste. Mesmo se essa capital fosse a mais deslumbrante que alguma vez teria visto. Demorei cerca de vinte minutos a chegar ao terminal, que era adjacente a uma espécie de centro comercial. Reparem: vinte minutos desde o aeroporto até ao início do metro, e ainda nem sequer estávamos em Budapeste propriamente dita. Para alguém cuja maior cidade em que tinha estado até agora teria sido Barcelona, este foi um choque tremendo.
Para variar, aprendi que à entrada do Metro existem sempre pelo menos duas pessoas em uniforme que inspecionam os bilhetes e passes de cada indivíduo. E, embora pensássemos que era um processo algo complicado, eis que são os locais a surpreenderem-nos. Simplesmente sacas o passe para fora enquanto vais andando, mostras ao segurança sem parares e segues à tua vida. Não cabia em mim de confuso mas alinhei na mesma. Esperei pela carruagem que me levaria até ao centro, decidindo que trocaria para a linha vermelha em Deak Ferenc Tér, praça que depois me aperceberia que é das principais da cidade. Tanto as carruagens da linha azul como a própria linha e até as pessoas que nela andavam eram de uma tristeza e podridão chocante. Parecia tudo muito cinzento, exageradamente velho, tudo num húngaro provinciano muito vincado que não deixaria antever nunca o porquê de Budapeste ser tão procurado por turistas. Senti-me mesmo um peixe fora de água, e não conseguia meter na cabeça se isso era mesmo aquilo que queria ou se era profusamente desconfortável visto que agora estava virtualmente sozinho no meio de nenhures onde aparentemente ninguém falava sequer inglês e o único húngaro que eu sabia até então resumia-se a koszonom (os o têm os dois pontinhos em cima, não sei como fazer isso no raio do teclado), que significa um obrigado formal.
Calado, enfim, esperei, mais assustado do que entusiasmado, pela mudança de linha, e para surpresa minha, as carruagens vermelhas eram mais bem conservadas, tal como as pessoas que nelas andavam. Como a Iris tinha de ir ver uma casa na área oeste de Joszefváros nesta manhã, decidimos sair em Blaha Lujza Tér.


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